Bradesco (BBDC4): lucro líquido ajustado aumenta 73,6% no primeiro trimestre, para R$6,51 bilhões

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lucro líquido recorrente do Bradesco, que desconsidera itens com impacto pontual sobre o resultado, aumentou 73,6% no primeiro trimestre, para R$ 6,515 bilhões.

Além da queda nas provisões para devedores duvidosos, que já era esperada, o banco teve uma recuperação importante na margem financeira e bom controle de gastos. A inadimplência subiu um pouco, mas não preocupa a administração da instituição, que se mostrou bastante otimista com a economia.

O banco contabilizou margem gerencial financeira de R$ 15,578  bilhões no primeiro trimestre, com alta de 7,4% em relação ao primeiro trimestre de 2020.

A margem financeira cresceu não só com o resultado de tesouraria, mas também na margem com clientes, que subiu 2,0% na comparação anual. “A margem financeira com clientes líquida continua apresentando crescimento consistente e, como consequência, o spread líquido evoluiu 0,4 ponto. A melhora observada pelo mix de produtos no primeiro trimestre está relacionada, principalmente, ao crescimento das carteiras de pessoas físicas”.

A carteira de crédito expandida do Bradesco aumentou 7,6%, para R$ 705,2 bilhões. O valor considera empréstimos, avais, fianças, cartas de crédito, antecipação de recebíveis de cartão de crédito, debêntures, notas promissórias, coobrigação em cessões para certificados de recebíveis imobiliários e crédito rural, cédula do produto rural (CPR), certificados de recebíveis imobiliário (CRI), certificados de direitos creditórios do agronegócio (CDCA) e fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDC).

A receita de serviços somou R$ 8,067 bilhões no primeiro trimestre, com queda de 2,6% em 12 meses. Por outro lado, as despesas operacionais totalizam R$ 11,204 bilhões, com baixa de 4,7%.

retorno sobre o patrimônio líquido (RoE) médio do Itaú Unibanco considerando apenas as operações brasileiras cresceu 5,7 pontos porcentuais (pp) no primeiro trimestre, para 18,7%, enquanto o RoE incluindo todas as operações aumentou 5,7 pp, para 18,5%.

A taxa de empréstimos inadimplentes há mais de 90 dias encolheu 1,2 pp em relação a um ano antes, para 2,5% da carteira de crédito expandida.

A despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa, mais conhecidas pela sigla PDD, cederam 14,5% na comparação com o período imediatamente anterior e ficaram em R$ 3,9 bilhões, 41,8% abaixo em relação ao primeiro trimestre do ano passado. O estoque de provisões, no entanto, chegou a R$ 46 bilhões, uma alta de 11,3% sobre o resultado pouco acima de R$ 40 bilhões registrado há um ano.

O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROE) anualizado cresceu 7 pontos porcentuais (pp) no primeiro trimestre, para 18,7%.

Os últimos 12 meses foram de ajustes na operação do Bradesco, de acordo com o balanço divulgado ontem. No período, o banco fechou 1.088 agências e demitiu cerca de 8,5 mil funcionários. Apenas nos primeiros três meses de 2021, foram encerrados 83 pontos de atendimento e fechados 888 postos de trabalho.

Projeções

O Bradesco manteve as projeções de desempenho para 2021, os chamados guidances, divulgadas no início deste ano. O banco espera que sua carteira de crédito cresça de 9% a 13% neste ano. No primeiro trimestre, os empréstimos tiveram incremento de 7,6%. O banco espera ainda que sua receita de prestação de serviços tenha aumento de 1% a 5% neste ano ante 2020. No primeiro trimestre, esse faturamento, porém, encolheu 2,6%.

Nas despesas, o Bradesco promete seguir com austeridade no corte de custos e vê a possibilidade de seus gastos operacionais se reduzirem em até 5%, no melhor cenário. No mínimo, devem cair 1%. De janeiro a março, o corte foi de 4,7%.

Os resultados da Bradesco (BOV:BBDC3) (BOV:BBDC4) referentes suas operações do primeiro trimestre de 2021 foram divulgados no dia 04/05/2021. Confira o Press Release completo!

Teleconferência

Octavio de Lazari Jr, presidente executivo do Bradesco, afirmou que a tendência é que os dividendos distribuídos pela instituição voltem à média histórica.

“Já anunciamos uma recompra e a tendência é remunerar cada vez melhor o nosso acionista”, disse em teleconferência com analistas.

Lazari comentou ainda que o foco da instituição segue na redução de despesas operacionais, apesar de fatores que podem elevar esses dispêndios, como a inflação e o reajuste dos salários dos bancários em setembro.

“Estamos segurando a rédea para manter despesas do centro do guidance para baixo”, afirmou.

As despesas operacionais atingiram R$ 11,204 bilhões no primeiro trimestre, queda de 4,7% na comparação anual e de 2,4% na trimestral. O guidance estabelecido para este ano está entre -5% e -1%.

Ele afirmou ainda que espera uma melhora nos números da pandemia de coronavírus em maio, com o avanço da vacinação, o que deve favorecer uma reabertura ainda maior da economia e estimular a atividade.

Segundo o Bradesco, a originação de crédito por dia útil foi de R$ 96 milhões no primeiro trimestre, ante R$ 101 milhões no quarto e R$ 100 milhões no primeiro trimestre do ano passado. “As originações de crédito continuam em ritmo muito bom e devem se intensificar com a reabertura da economia”, comentou.

Lazari afirmou que o ano começou um pouco devagar, mas foi avançando continuamente ao longo dos meses.

A tendência nos parece muito mais positiva, principalmente se houver redução dos casos. A vacinação é uma condição ‘sine qua non’, mas as coisas vão indo”. “No comecinho do ano parecia que estava patinando, sem sair muito do lugar, mas no fimzinho de janeiro já vimos uma movimentação maior, em termos de transações dos clientes, crédito pessoal. E houve um crescimento contínuo em janeiro, fevereiro, março, e abril foi melhor ainda que o primeiro trimestre.

Segundo ele, o banco tem uma visão positiva para a economia, mas não exageradamente otimista.

VISÃO DO MERCADO

BTG Pactual 

Os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Cavalieri e Luiz Temporini, do BTG Pactual afirmam que, “No geral, os números ficaram muito próximos de nossas estimativas, ficando em linha com nossa projeção no nível antes dos impostos e 2% acima de nosso lucro líquido. Semelhante ao que vimos no Itaú (e diferente do Santander), a NII (margem financeira) com clientes ficou aquém das expectativas”.

Ainda de acordo com o trio, o Bradesco tem algo que o coloca como favorito em relação aos outros pares: o controle de custos, que se destacou mais uma vez.

Ao todo, as despesas de pessoal diminuíram 5%, o melhor corte entre os grandes bancos brasileiros.

“Já esperávamos um resultado forte aqui, mas veio até um pouco melhor do que estimamos”, completam.

Além disso, o Bradesco reduziu o número de agências e funcionários em 83 e 888, respectivamente, permitindo o sólido controle de custos.

“O grupo aumentou em 30 pontos de atendimento bancário e unidades de negócio, o que está em linha com a sua estratégia de substituição de balcões por uma estrutura de distribuição física mais econômica e mais leve”, afirmam.

BTG Pactual tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 32,00…

Credit Suisse

O Credit Suisse destacou que Bradesco reportou bons resultados, com um ROE de 18,1% e registrando um balanço de boa qualidade, o que deixa a equipe de análise confiante de que a companhia está caminhando para um 2021 robusto, considerando a menor contribuição da margem financeira (NII, na sigla em inglês) com o mercado e a criação de provisões adicionais.

Para os analistas, embora alguns possam ver a margem do cliente estável como um ponto de preocupação, a equipe espera que acelere nos próximos trimestres, à medida que os volumes de crédito continuam a aumentar e o mix de empréstimos melhore com a maior participação de crédito de varejo e o retorno das linhas de credito rotativo.

O lucro líquido gerencial ficou 6% acima do consenso e 9% acima do esperado pelo Credit. O custo de risco ficou menor do que o esperado, grande queda em opex e resultados de seguro mais sólidos foram os principais destaques positivos.

Credit Suisse mantem recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 30,91.

Goldman Sachs 

Na avaliação dos profissionais do Goldman Sachs, os resultados do Bradesco no primeiro trimestre se beneficiaram de um bom controle de custos e melhores números no setor de seguros. Essa parte positiva do balanço compensou as fracas receitas de comissões, enquanto a receita líquida de juros ficou basicamente em linha.

Na avaliação dos profissionais do Goldman Sachs, o valuation do Bradesco permanece atrativo em 8,7 vezes P/L de 2021, enquanto outros pares do setor privado operam em 10,1 vezes.

Por isso, a recomendação dos papéis segue de compra.Os analistas ressaltam que o lucro líquido recorrente ficou em R$ 6,5 bilhões, numa queda 4% no comparativo trimestral, mas ainda 74% acima do resultado do ano passado e 2% acima da estimativa do Goldman Sachs.

Os resultados também foram impactados por uma taxa de imposto mais alta do que o esperado de 32%, contra estimativa do Goldman Sachs de 30%.

Como tal, os ganhos antes de impostos aumentaram 1% no trimestre e 79% no comparativo anual, além de ficar 6% acima do da estimativa no Goldman Sachs. Já o ROE recorrente caiu para 18,0% nos três primeiros meses de 2021 ante 19,4% no quarto trimestre, mas ainda bem acima de 11,4% no primeiro trimestre de 2020.

Inter Research

Inter Research destacou o segmento de seguros, que teve alta de 27,7% em relação ao quarto trimestre.

“Desta forma, volta a ser um componente importante do resultado que girava em média de 30% dos lucros do Bradesco e durante a pandemia chegou a atingir 18,8%”, aponta o especialista Matheus Amaral.

Inter Research tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 32,00…

Safra

Os bons resultados vieram principalmente das linhas de custos e despesas, com redução significativa nas despesas com provisões de crédito, e despesas operacionais (com pessoal e administrativas). Com isso, o ROAE do Bradesco atingiu 18,1%, 7,1 p.p. acima de um ano antes.

Destacamos também a boa recuperação dos resultados da operação de seguros, com crescimento de 7,0% a/a e 37% t/t. Acreditamos que os resultados do 1T corroboraram nossa expectativa de que o Bradesco deva entregar um resultado bastante sólido em 2021, portanto, mantemos o rating de compra para o Bradesco, que se mantém como a nossa ação preferida no setor bancário.

Safra tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 32,00…

XP Investimentos 

Segundo a XP Investimentos, o corte é importante para fazer frente à concorrência vindo dos bancos digitais e empresas de varejo.

Os analistas Marcel Campos e Matheus Odaguil, que assinam o relatório da corretora, lembram ainda que os múltiplos da empresa parecem descontados para concorrentes, com um preço por patrimônio líquido de 1,5 vezes no trimestre.

“No conjunto, acreditamos que o resultado foi positivo e esperamos que o mercado reaja bem”, completam.

Apesar disso, eles lembram que é necessário ter cautela em relação ao índice de inadimplência, que se deteriorou 28 pontos-base no trimestre para 2,5%.

“Ainda precisamos de mais clareza da administração sobre o aumento sazonal da inadimplência”, afirmam.

Em teleconferência com analistas, o CEO do Bradesco, Octavio de Lazari, disse que a inadimplência está sob controle, apesar da decisão do banco de fazer uma provisão extra de R$ 1 bilhão no primeiro trimestre para amortecer os efeitos da pandemia do coronavírus.

XP tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 27,00…

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