Minerva (BEEF3): lucro líquido de R$ 259,5 milhões no primeiro trimestre, contornando o impacto negativo da disparada do boi gordo no Brasil

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A Minerva Foods registrou lucro líquido de R$ 259,5 milhões no primeiro trimestre do ano, uma redução de 4,3% ante o mesmo período de 2020, contornando o impacto negativo da disparada do boi gordo no Brasil.

A receita líquida somou R$ 5,8 bilhões, uma expansão de 39,3% sobre o mesmo período do ano passado e de 1,8% na comparação com o quarto trimestre de 2020.

Na exportação, a receita cresceu 42%, para R$ 4,1 bilhões. A demanda aquecida, especialmente no Sudeste Asiático, beneficia os frigoríficos exportadores. Conforme o presidente da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, a queda da produção na Austrália ajudou – os abates no país, um importante concorrente no mercado internacional, estão no menor patamar em 36 anos, afirmou o empresário.

Operacionalmente, a Minerva mostrou a redução do peso relativo do Brasil para o negócio. Pela primeira vez, a Athena Foods – subsidiária que reúne os frigoríficos na Argentina, Uruguai, Paraguai e Colômbia – foi a principal divisão, respondendo por 50% da receita. A operação brasileira ficou com 44% e o restante vem da área de trading.

Já o Ebitda – lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações – foi de R$ 484,9 milhões, o que representa um crescimento de 27,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Houve um recuo de 21,4% na comparação trimestral. A expectativa dos analistas para o Ebitda do frigorífico era que o indicador ficasse em R$ 409 milhões.

A margem Ebitda, no entanto, ainda foi pressionada pelo disparada do boi no Brasil, recuando de 9,2% para 8,4%.

A companhia disse que os resultados foram reflexo da disciplina financeira e modelo de gestão de riscos da companhia, com fluxo de caixa livre positivo pelo décimo terceiro trimestre consecutivo, que alcançou aproximadamente R$ 309 milhões no 1T21 após o resultado do hedge cambial, totalizando R$ 1,3 bilhão nos últimos doze meses.

“A estratégia de hedge funcionou, não só protegendo o balanço, mas a linha de despesas financeiras”, afirmou o diretor financeiro da Minerva, Edison Ticle, executivo que sempre criticou a tese do hedge natural. O índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) ficou estável em 2,4 vezes.

Se não tivesse proteção cambial, a Minerva reportaria uma perda – ainda que sem efeito sobre o caixa – em razão do aumento do valor em reais das dívidas em moeda estrangeira. No primeiro trimestre, a alta do dólar em relação ao real foi de 9,6%.

Além do efeito positivo no resultado líquido, a Minerva converteu parte dos ganhos com o hedge em caixa, ao rolar parte dos derivativos. De acordo com Ticle, o efeito do hedge cambial sobre o caixa totalizou quase R$ 230 milhões, o que contribuiu para o fluxo de caixa livre da companhia no trimestre. Entre janeiro e março, a Minerva registrou um fluxo de caixa positivo de R$ 309,2 milhões. Descontando o hedge, o fluxo ainda seria positivo – cerca de R$ 80 milhões.

No período, o volume total de vendas da Minerva somou 290,4 mil toneladas, alta de 14,1% na comparação anual, sendo que 115,9 mil toneladas foram na operação de Brasil, 9,5% menor, e 174,5 mil toneladas na Athena, uma alta de 38,0%, ambos na mesma base de comparação.

O volume total abate somou 862,0 mil toneladas, alta de 15,1% ante o mesmo período de 2020, sendo 309,8 mil toneladas foram no Brasil, queda de 12,2%, na comparação anual, e na operação Athena foi de 552,2 mil toneladas, alta de 39,3%, na mesma base de comparação. Ao final do trimestre, a alavancagem, medida pela relação dívida líquida por ebitda, era de 2,4 vezes e 2,3 vezes em dólares, queda de 0,5 e 0,1 pontos percentuais, respectivamente.

“A companhia realizou uma série de iniciativas na gestão de seus passivos, com foco na redução de dívidas em moeda estrangeira que apresentarem um custo mais elevado, redução do custo financeiro e alongamento do perfil da dívida, como resgate total das Notas 2026, emissão das Notas 2031, emissão de CRAs no mercado de local, com o objetivo de aperfeiçoar a estrutura de capital”, disse a companhia.

 

Os resultados da Minerva Foods (BOV:BEEF3) referentes suas operações do primeiro trimestre de 2021 foram divulgados no dia 04/05/2021. Confira o Press Release completo!

Teleconferência

O presidente da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, disse que a empresa manterá a política de pagar dividendo mínimo de 50% do lucro líquido se a alavancagem continuar controlada.

“A política de dividendos continua valendo. No final do exercício do ano fechado, se nossa alavancagem estiver igual ou menor que 2,5 vezes, o dividendo mínimo passa a ser 50% do lucro líquido”, disse, Galleti durante teleconferência de resultados.

O executivo também afirmou que se previsão para o segundo trimestre se manter forte como foi em março, o empresa vai continuar pagando dividendos de 50% aos acionistas.

“Com o que estamos vendo no mercado para o segundo trimestre, que é o que a gente viu em março, que foi disparado o melhor mês do trimestre. Tudo leva a crer que a gente vai conseguir manter níveis de alavancagem controlado e portando vamos fazer jus à distribuição de dividendos mínimos de 50% do lucro líquido final de 2021”, finalizou.

VISÃO DO MERCADO

BTG Pactual

O BTG Pactual avaliou os resultados reportados pela Minerva referentes ao primeiro trimestre do ano como impressionantes.

Os analistas destacam a alta de 14% nos volumes consolidados, que foram puxados pela Athena, subsidiária da empresa que atua no exterior, com câmbio favorável e preços mais altos.

Outro destaque feito pelo BTG foi sobre as vendas em países da América do Sul como Paraguai e Uruguai.

“As vendas no Paraguai e Uruguai, respectivamente, cresceram de forma surpreendente 35% e 62% ano ano em termos de dólares, superando a indústria por uma ampla margem”.

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