Vale (VALE3): lucro de US$ 5,427 bilhões no 4T21, alta de 39,65%

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A mineradora Vale registrou lucro líquido atribuído aos acionistas de US$ 5,427 bilhões no quarto trimestre de 2021, informou a companhia. O valor representa uma alta de 39,65% ante o lucro de US$ 3,88 bilhões registrado no 3T21.

O resultado representa um crescimento de 39,6% em relação ao terceiro trimestre de 2021 e 7,34 vezes superior ao registrado no quarto trimestre de 2020.

O consenso dos analistas consultados pela Refinitiv para o lucro da Vale era de US$ 4,703 bilhões.

A receita líquida da companhia somou US$ 54,5 bilhões, alta de 38% no relativo anual.

Em reais, foram R$ 293,5 bilhões, avanço de 42% na mesma comparação. No intervalo entre outubro e dezembro, a receita da Vale chegou em US$ 13,1 bilhões.

O Ebitda – juros, impostos, depreciação e amortização – ajustado, foi de US$ 3,9 bilhões. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, o Ebitda da Vale subiu 4,3%, mas recuou 31,5% frente ao 3T21.

Em 2021, a soma do Ebitda ajustado da mineradora atingiu US$ 28,3 bilhões, alta de 98% em relação ao valor de 2020, de US$ 14,3 bilhões.

Já o Ebitda ajustado pro-forma da mineradora, que exclui as despesas relativas a Brumadinho e à Covid-19, somou US$ 6,9 bilhões, queda de 23,5% na comparação anual e de 2,1% na comparação trimestral. No acumulado de 2021, chegou a US$ 33,7 bilhões, 54% maior do que em 2020.

O fluxo de caixa livre das operações foi negativo em US$ 175 milhões no 4T21, principalmente devido a um impacto negativo do capital de giro; investimentos sazonalmente maiores, e pagamentos relacionados ao Acordo de Reparação Integral de Brumadinho.

A receita líquida de minerais ferrosos somou R$ 10,822 bilhões no 4T21, representando cerca de 82,6% da receita da mineradora no trimestre.

Já a receita de minério de ferro totalizou R$ 8,817 bilhões entre outubro e dezembro do ano passado, correspondente a 67,3% da receita total da Vale.

A receita de pelotas, por sua vez, atingiu a cifra de R$ 1,889 bilhão no 4T21, equivalente a 14,4% da receita trimestral.

Enquanto isso, a receita líquida de metais básicos foi de R$ 2,224 bilhões no 4T21, representando 17% da receita da mineradora no trimestre.

O custo por produtos vendidos (CPV) da Vale com minerais ferrosos foi de US$ 4,8 bilhões no 4T21, alta de 30,7% na comparação anual e de 14,6% na trimestral.

Já o CPV de metais básicos foi de US$ 1,58 bilhão entre outubro e dezembro de 2021, uma alta de 15,2% na comparação anual e de 33,1% na comparação trimestral.

Ao todo, o CPV da Vale no 4T21 somou US$ 6,5 bilhões, alta de 18,7% na comparação trimestral e de 21,7% na comparação anual. No acumulado de 2021, o CPV da Vale foi de US$ 21,7 bilhões, 23,7% maior na comparação anual.

Já o impacto com provisões e despesas com Brumadinho chegou a US$ 2,1 bilhões de impacto no Ebitda e US$ 1,27 bilhão em pagamentos no 4T21.

A dívida bruta e arrendamentos totalizou US$ 13,782 bilhões, e a dívida líquida totalizou US$ 1,877 bilhão em 31 de dezembro de 2021, ambos em linha com o trimestre anterior.

O índice de alavancagem, medido pela relação entre dívida liquida e o Ebitda ajustado foi de 0,4 vez, uma redução de 0,4 vez em relação ao 4T20.

Os investimentos no 4T21 totalizaram US$ 1,831 bilhão, sendo US$ 1,479 bilhão na manutenção das operações e US$ 352 milhões na execução de projetos de crescimento.

Em 2022, a Vale espera investir US$ 5,8 bilhões, um aumento de US$ 0,6 bilhão em relação a 2021, principalmente devido a postergação de investimentos de 2021 em função da pandemia de Covid-19; adiamentos em Sudbury como resultado da interrupção de trabalho em 2021; maiores desembolsos em projetos de capital do negócios Ferrosos (por exemplo, Capanema, planta de concentração a seco em Vargem Grande, Serra Sul 120); e aporte de capital para o projeto West III, que consiste na ampliação das instalações do Porto de Shulanghu na China.

Os resultados da Vale (BOV:VALE3) referentes suas operações do quarto trimestre de 2021 foram divulgados no dia 25/02/2022. Confira o Press Release completo!

Teleconferência

Em teleconferência de resultados do quarto trimestre, a Vale falou sobre o impacto da guerra envolvendo Ucrânia e Rússia nas commodities.

Marcelo Spinelli, vice-presidente executivo de Ferrosos, destacou que o conflito poderá levar a uma alta nos preços no mercado de pelotas, uma vez que que a produção global é de 120 milhões de tonelada ao ano. A Rússia representa 10 milhões de toneladas ao ano de produção e a Ucrânia, 15 milhões – ou cerca de 30% do mercado mundial.

“Tem impacto. A grande questão é o tempo que vai demorar essa tensão. O impacto primário, diria que é muito mais voltado às plantas do leste europeu, que têm relação muito mais direta. E as plantas mais do lado ocidental têm alternativa”, disse o executivo.

“Já recebemos ligações de nossos clientes europeus e do leste europeu, mas no primeiro momento, o impacto vai ser uma redução de produção e o preço de prêmio de pelotas deve reagir”, avaliou.

No entanto, pontuou, a empresa já está com prêmios fechados para o trimestre. Mas, dependendo da extensão do problema, provavelmente haverá um impacto registrado no trimestre seguinte.

Com relação ao níquel, Eduardo Bartolomeu, CEO da Vale, disse que a questão sobre preços ainda é especulativa. Isso porque antes tensão geopolítica os preços do níquel já estavam sendo impactados por questões de oferta e demanda.

A empresa ainda afirmou que espera recuperar a produção prejudicada com as chuvas no início do ano, com a projeção de minério de ferro para 2022 entre 320 e 335 milhões de toneladas produzidas. Informou ainda que 30 milhões de toneladas serão adicionadas à capacidade de produção com a entrada em operação das plantas de filtragem de rejeitos nas barragens de Itabiruçu e Torto, ambas em Minas Gerais, mais no final de 2022. A produção de minério de ferro de 2021 foi de 315,6 milhões de toneladas.

Spinelli ainda ressaltou que o aço será fundamental na transição energética, para qualquer infraestrutura necessária para sua viabilidade. A empresa já produz níquel e cobre, metais essenciais na transição energética. Mas deixou claro que o aço também terá papel importante em suportar projetos na área.

Especificamente na indústria siderúrgica, ressaltou ainda a redução do uso do alto-forno nos moldes de hoje, com incremente do gás natural e, no segundo momento, o hidrogênio como fonte de energia.

Eliminação de barragens

Bartolomeo, diretor-presidente da Vale ainda deu um panorama no programa de redução de riscos das operações da mineradora.

“Na gestão de barragens, passamos teste importante no início do ano, com chuvas muito acima do esperado – choveu 30% a mais do que se era esperado chover em 12 dias”, disse. “Nesse cenário difícil, nossa barragens mostraram resiliência e desempenho muito bom”.

Segundo o executivo, segue essencial o programa para eliminar barragens a montante das plantas de mineração da empresa. “De um total de 30, já eliminamos sete. Em 2022, eliminaremos mais cinco. Até 2025, teremos eliminado 2/3 de nossas estruturas a montante”, informou. “Esses projetos são complexos e em alguns casos, pioneiros. Por isso, ajustamos nossas provisões após algumas revisões técnicas”, disse.

Moatize: espera fechar venda no 1º semestre

A Vale tem previsão de fechamento de venda da planta de carvão de Moatize, na província de Tete, em Moçambique, ainda no primeiro semestre desse ano, dentro do plano de desinvestimentos e otimização do portfólio. O acordo já foi assinado com a Vulcan Minerals no final do ano passado e inclui o Corredor Logístico Nacala, no mesmo país. O valor do negócio é de US$ 280 milhões.

O CEO da Vale disse ainda que espera manter o custo fixo para esse ano na empresa, apesar de todos os efeitos negativos da inflação, incluindo o diesel. Para isso, a empresa informou realizar redesenho e simplificação organizacional da área de metais básicos, otimização de serviços através de melhor planejamento, controle nas operações do Atlântico Norte, entre outros.

VISÃO DO MERCADO

Bank of America (BofA)

O fluxo de caixa livre da Vale no quarto trimestre de 2021 decepcionou, avalia o Bank of America (BofA), acrescentando que as provisões adicionais de US$ 3 bilhões também foram uma decepção nos resultados da companhia.

Para os analistas Caio Ribeiro, Guilherme Rosito e Leonardo Neratika, a principal surpresa no trimestre envolveu as provisões adicionais de US$ 1,7 bilhão relacionados à descaracterização de barragens de rejeitos, de US$ 1,1 bilhão associados à fundação Renova e de US$ 200 milhões relacionados às reparações da tragédia de Brumadinho.

Eles destacam que o fluxo de caixa livre estava fraco em US$ 175 milhões negativos devido a um aumento de US$ 2,3 bilhões no capital de giro e um aumento de investimentos em relação ao terceiro trimestre, passando de US$ 500 milhões para US$ 1,8 bilhão.

Segundo eles, operacionalmente falando, os dados vieram em linha com as expectativas, já que os números de embarques foram divulgados no relatório de produção e vendas da companhia.

“Embora os custos de caixa do minério de ferro tenham ficado abaixo do que estávamos projetando”, acrescentam.
O BofA tem recomendação neutra para Vale, com preço-alvo de R$ 115 por ação ordinária e de US$ 20 por recibo de ação (ADR) negociada na bolsa de Nova York.

A equipe do banco diz que ainda vê desvantagens nos preços atuais do minério de ferro, com média em US$ 127 por tonelada este ano, o que poderá desencadear revisões para baixo nas estimativas da companhia.

Citi

Os resultados operacionais da Vale no quarto trimestre de 2021 foram um pouco piores que o esperado, refletindo os custos de metais básicos mais elevados, avalia o Citi.

Os analistas Alexander Hacking e Stefan Weskott dizem que o banco esperava um Ebitda de US$ 7,7 bilhões, enquanto o da companhia somou US$ 7 bilhões entre outubro e dezembro.

Eles comentam que o fluxo de caixa livre (FCF) também ficou abaixo do esperado, perto de zero, devido ao montante de US$ 2,3 bilhões de capital de giro e a pagamentos mais altos relacionados à tragédia de Brumadinho (MG), que ocorreu em 2019.

A equipe do Citi acrescenta que o Ebitda de metais básicos ficou em US$ 800 milhões, abaixo da projeção de US$ 1 bilhão, enquanto os custos do níquel subiram na comparação com o terceiro trimestre e com o mesmo período de 2020. Segundo eles, a alta ocorreu diante de vários problemas operacionais.

Os custos também foram mais altos em cobre principalmente, devido ao incêndio que atingiu parcialmente a correia transportadora na mina do Salobo, em Marabá (PA), no início de outubro, reforçam os analistas. À época, a produção de cobre foi paralisada por cerca de 20 dias.

Sobre os dividendos de US$ 3,5 bilhões — ou R$ 18,5 bilhões —, que a companhia pagará em 16 de março, os analistas comentam que o montante está na extremidade inferior da faixa.

“Este é um rendimento de 4% com 75% da recompra de ações. Ou seja, dá 8% de retorno ao acionista mais o dividendo a ser pago no segundo semestre, que deve ser de 5% de retorno”, avalia.

O Citi tem recomendação de compra para Vale, com preço-alvo de US$ 16 por recibo de ação (ADR) negociado na bolsa de Nova York.

Genial Investimentos

De forma geral, o resultado da Vale no quarto trimestre veio em linha com o esperado pela Genial Investimentos. Tanto o ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês), quanto o lucro tiveram efeitos não-recorrentes que se distanciaram do previsto pela Genial, porém ao remover tais ajustes os resultados são próximos aos esperados.

Em relatório, o analista Gabriel Tinem ressalta que, apesar de a produção ter totalizado 82,47 milhões de toneladas , houve um aumento na venda do conjunto de minério de ferro e pelotas atingindo 93,5 milhões de toneladas, possibilitado pelo uso dos estoques em trânsito formados no terceiro trimestre, esperando um melhor momento do mercado, levando a um recorde de vendas de minério de ferro para um quarto trimestre.

A parte das despesas foi impactada negativamente pelo item “despesas relacionadas a Brumadinho e descaracterização” relacionados em parte a provisões adicionais da descaracterização de barragens a montante, que somaram no total mais de US$ 2,1 bilhões, levando a um aumento das despesas totais para US$ 3,05 bilhões, comprimindo as margens ebit e ebitda.

Mesmo assim, aponta Tinem, a empresa apresentou um crescimento de EBITDA na comparação anual, atingindo US$ 4,58 bilhões . Apesar disso, a empresa conseguiu forte lucro de US$ 5,43 bilhões, impulsionado pelo resultado financeiro, sobretudo pelo CTA (Ajuste Cumulativo de Conversão), que leva em consideração as diferentes taxas de câmbio utilizadas na contabilidade das contas, adicionando US$ 3,1 bilhão no resultado financeiro.

Ainda, o lucro só não foi maior devido a um menor resultado de participações, que totalizou US$ 1,1 bilhão, ocasionado por uma provisão adicional vinculada à Fundação Renova.

Entre os pontos positivos, listados por Tinem, está o aproveitamento das condições de mercado usando parte do minério em armazenado em trânsito do terceiro trimestre para incrementar as vendas do quarto, que tiveram preços mais atrativos ao longo do final do ano, possibilitando maiores leveis de receita, e a maior participação na receita dos metais básicos, com contribuições do níquel e cobre.

A recomendação da Genial é de compra, com preço-alvo de R$ 115,00.

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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