Tecnisa: S&P Global Ratings reafirma rating corporativo da companhia de ‘brA’, com perspectiva estável

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A Tecnisa comunicou que a S&P Global Ratings reafirmou o rating corporativo da Companhia de ‘brA’, atribuído na Escala Nacional Brasil, com perspectiva estável.

O comunicado foi feito pela companhia (BOV:TCSA3) nesta sexta-feira (15).

A agência destacou que “A perspectiva estável reflete nossa expectativa de que a Tecnisa manterá um nível adequado de lançamentos nos próximos anos, considerando sua participação no projeto Jardim das Perdizes. Com isso, a empresa deve apresentar crescimento gradual de receita e ebitda, impulsionado pelos resultados de lançamentos anteriores e do projeto”.

Dinâmica de novos lançamentos limita a geração interna de caixa

A Tecnisa reportou em 2021 um Valor Geral de Vendas (VGV) lançado de R$ 843 milhões, cumprindo com seu guidance para o ano e superando os níveis de cerca de R$ 271 milhões e R$ 69 milhões lançados em 2020 e 2019, respectivamente. Para 2022, estimamos o VGV de lançamentos entre R$ 760 milhões-R$ 780 milhões, além dos lançamentos de novas fases do projeto residencial Jardim das Perdizes, no qual possui participação de 57,5%.

Considerando os lançamentos desse projeto, esperamos que a Tecnisa apresente um VGV lançado consolidado em torno de R$ 1 bilhão em 2022 e entre R$ 1,2 bilhão-R$ 1,3 bilhão em 2023-2024. Ainda assim, o nível de lançamentos mais fracos nos últimos anos, combinado com o ciclo natural dos projetos, que tendem a consumir mais caixa entre os lançamentos e o momento da entrega das chaves, deve continuar pressionando o fluxo de caixa operacional da Tecnisa nos próximos anos, com geração negativa em 2023 e 2024, ainda que próxima de neutra em 2022.

Esperamos melhora consistente de margens nos próximos anos

Após significativas reestruturações em períodos passados, a Tecnisa tem mantido custos e despesas mais enxutos, visando tornar suas operações mais eficientes. Além disso, dado seu foco nos segmentos de média e alta renda, a empresa tem conseguido repassar parcialmente aos preços das unidades o aumento dos custos de matéria-prima, mitigando assim o impacto da inflação em sua rentabilidade. Tais fatores, combinados com a maior representatividade de projetos lançados com margens maiores, devem viabilizar um aumento da margem bruta ajustada para cerca de 25%- 35% nos próximos anos, além de EBITDA positivo já em 2022, com melhora consistente nos anos seguintes.

Banco de terrenos robusto para sustentar novos lançamentos, mas riscos de execução e ambiente macroeconômico mais desafiador podem atrasar projetos

A Tecnisa tem mantido sua estratégia de focar seus investimentos na região metropolitana de São Paulo, ao mesmo tempo que continua desinvestindo ativos fora do estado, como a recente venda do terreno localizado em Aquiraz (Ceará) por R$ 19 milhões (parcela Tecnisa). Ao fim de março de 2022, a empresa sustentava um banco de terrenos com VGV potencial de cerca de R$ 5 bilhões, do qual 96% está localizado em São Paulo. Apesar disso, continuamos vendo potenciais riscos de execução em projetos ainda não lançados, desde a aprovação pela prefeitura de São Paulo até a venda, que depende do ambiente de mercado. Ademais, condições macroeconômicas mais desafiadoras, com taxas altas de inflação e juros e incertezas devido às eleições presidenciais, podem dificultar a obtenção do desempenho esperado nos próximos anos.

Liquidez permanece adequada, mas consumo de capital de giro devido ao ciclo dos projetos em execução pode gerar pressões no médio prazo

A Tecnisa possui um sólido colchão de liquidez para os próximos 12 meses, reforçado por baixos níveis de dívida de curto prazo e boa posição de caixa. No entanto, o maior consumo de capital de giro esperado, principalmente a partir de 2023, sobretudo devido o ciclo de execução das obras do Jardim das Perdizes, deve continuar pressionando sua geração de caixa. Isso, aliado a potenciais atrasos no cronograma de lançamentos, pode levar a pressões de liquidez em períodos futuros.

Métricas ajustadas consideram consolidação proporcional do Jardim das Perdizes

A Tecnisa possui participação de 57,5% no projeto, mas não consolida seus resultados devido a determinações específicas do regime contábil vigente. Porém, incorporamos tais resultados por meio de consolidação proporcional em nossas métricas de crédito, pois acreditamos ser um melhor indicativo da real geração de caixa da empresa, dada a relevância do projeto nos próximos anos.

Perspectiva

A perspectiva estável reflete nossa expectativa de que a Tecnisa manterá um nível adequado de lançamentos nos próximos anos, considerando sua participação no projeto Jardim das Perdizes. Com isso, a empresa deve apresentar crescimento gradual de receita e EBITDA, impulsionado pelos resultados de lançamentos anteriores e do projeto. Nesse cenário, esperamos que a Tecnisa apresente geração interna de caixa (FFO Funds From Operations) positiva a partir de 2023, com índice de dívida sobre capital entre 40% e 45% nos próximos três anos.

Cenário de rebaixamento

Poderemos realizar uma ação de rating negativa nos próximos 12 a 18 meses caso a Tecnisa siga com um cronograma de lançamentos mais fraco que o esperado em nosso cenário-base, impactando assim sua geração de caixa operacional. Nesse cenário, o índice de FFO sobre dívida estaria consistentemente abaixo de 12% e o índice de dívida sobre capital ultrapassaria 45% nos próximos anos. Poderíamos rebaixar os ratings também caso a liquidez de curto prazo da empresa se deteriorasse devido a um resultado operacional mais fraco.

Cenário de elevação

Embora improvável nos próximos 12-18 meses, poderíamos elevar o rating caso a empresa retomasse os lançamentos em base sustentada, enquanto mantém ganhos consistentes em suas métricas operacionais e rentabilidade. Nesse cenário, veríamos uma geração de caixa operacional consistentemente positiva, com índices de FFO sobre dívida acima de 20% e de dívida sobre capital abaixo de 35%, mantendo uma posição de liquidez adequada.

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