CSN (CSNA3): lucro líquido de R$ 238 milhões no 3T22, queda de 35,5%

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A CSN registrou lucro líquido de R$ 238 milhões no terceiro trimestre de 2022, queda de 35,5% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Em seu relatório de resultados, a companhia informa que o recuo se deu em função do menor desempenho operacional verificado no período em razão da queda nos preços internacionais, que acabou por compensar as menores despesas financeiras apresentadas no período.

A receita líquida da companhia ficou em R$ 10,9 bilhões, queda de 6,35% em comparação com o trimestre encerrado em setembro de 2021.

A companhia atribui o resultado à maior atividade comercial e aumento no volume de vendas dos principais segmentos da companhia, parcialmente compensado pelos menores preços registrados para minério de ferro e produtos siderúrgicos.

Ebitda – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – ajustado atingiu R$ 2,714 bilhões, queda de 37% na comparação com igual intervalo de 2021 e de 17% na comparação com o segundo trimestre deste ano. A margem foi de 23,9%, o que representa uma contração de 5,7 pontos porcentuais em relação ao trimestre imediatamente anterior.

O volume de vendas de minério de ferro atingiu 9,095 mil toneladas no trimestre, um desempenho 11% superior ao ano anterior. Já as vendas de aço somaram 1,160 mil toneladas, alta de 9% na mesma base de comparação.

A produção de minério de ferro somou 9.625 mil toneladas no 3T22, o que representa um aumento de 16% em relação ao 2T22, como resultado do aumento na performance dos projetos integrados à Planta Central e do menor volume pluviométrico, que permitiu uma melhora da produção e eficiência nas minas da Companhia.

O custo dos produtos vendidos (CPV) totalizou R$ 8.359 milhões no 3T22, o que representa um aumento de 10,5% em relação ao 2T22, como resultado da manutenção de preços elevados de algumas matérias-primas como o carvão de coqueria, além de maiores custos com redutores nas operações de siderurgia e da maior movimentação nas minas. O custo dos produtos vendidos da mineração totalizou R$ 1.800 milhões no 3T22, uma retração de 1,74% frente ao trimestre anterior, como resultado de menores custos de transporte ferroviários e de porto, além da redução na demurrage.

O Custo C1 atingiu USD 19,4/t no 3T22, e foi 20% inferior quando comparado ao 2T22, refletindo não apenas os menores custos logísticos, mas também a maior diluição do custo fixo devido ao aumento do volume produzido.

O resultado financeiro foi negativo em R$ 318 milhões no 3T22, o que representa uma retração de 64,3% em relação ao trimestre anterior, como consequência da normalização das despesas financeiras após um trimestre com pouca variação no valor das ações da Usiminas.

As despesas com vendas, gerais e administrativas totalizaram R$ 798 milhões no 3T22, 22,6% superior ao registrado no trimestre anterior, como consequência do aumento da atividade comercial verificada no período para os diferentes segmentos de atuação, mas parcialmente compensado por preços mais baixos com os fretes na rota C3.

O grupo de outras receitas e despesas operacionais foi negativo em R$ 707 milhões no 3T22, como resultado, principalmente, das operações de hedge accounting de fluxo de caixa que totalizaram R$ 418 milhões no período.

Em 30/09/2022, a dívida líquida consolidada atingiu R$ 24.300 milhões, com o indicador de alavancagem medido pela relação Dívida Líquida/EBITDA alcançando 1,69x. Esse aumento da alavancagem é consequência dos desembolsos realizados no período, com o pagamento da aquisição da LafargeHolcim, além da emissão de novas dívidas, como a 2ª Emissão Debêntures da CSN Mineração. No entanto, apesar dessa maior necessidade de desembolsos financeiros, a CSN manteve a sua política de carregar um caixa elevado, que neste trimestre atingiu aproximadamente R$ 15,7 bilhões.

⇒ Investimentos

A companhia investiu um total de R$ 839 milhões no 3T22, um desempenho estável em relação ao trimestre anterior com o aumento nos investimentos em cimentos compensando o atraso na entrega de pedidos para os projetos de expansão no segmento de mineração, que devem apresentar uma concentração maior no início de 2023.

Companhia reduz guidance de capex consolidado de 2022 de R$ 4,1 bi para R$ 3 bi

A CSN atualizou o seu guidance para o capex consolidado da companhia de R$ 4,1 bilhões para R$ 3 bilhões em 2022. A companhia também substituiu a projeção de alavancagem, medida pelo indicador dívida líquida/Ebitda ajustado, de 1x em 2022 para um patamar entre 1,75x e 1,95x entre os balanços anuais de 2022 e 2023.

A CSN também informou que projeta produzir um volume total de minério de ferro mais compras de terceiros de 34 mil quilotoneladas no fechamento de 2022, destacando que as informações divulgadas “representam estimativa” e “envolvem fatores de mercado alheios ao controle da companhia”.

“Portanto, não constituem promessa de desempenho por parte da companhia e/ou de seus administradores e, dessa forma, podem sofrer novas alterações”, pontuou a CSN.

Os resultados da CSN (BOV:CSNA3) referente suas operações do terceiro trimestre de 2022 foram divulgados no dia 31/10/2022. Confira o Press Release completo!

Teleconferência

Na avaliação do presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch. “Tomamos medidas agressivas para preparar a companhia para épocas difíceis, para uma mudança grande de produção e consumo”, lembrou o empresário, em teleconferência com analistas.

“Estamos na mesma função. A companhia está sendo preparada para um mercado muito competitivo e diferente, porque os preços das matérias-primas em geral e o patamar da economia com um todo estão caindo”, afirmou, indicando que redução de custos está no foco do grupo.

“Apesar do cenário turbulento, acreditamos que fizemos nossa parte. Com aumento do volume de vendas e redução dos custos de produção, mostramos bastante resiliência nos números e nas margens”, afirmou. A piora das margens e do Ebitda, segundo ele, refletiu a “normalização gradual da rentabilidade a partir de mudança da exuberância vista na pandemia nos preços de commodities para níveis normalizados”.

Conforme Ribeiro, haverá desafios para manter a alavancagem dentro da nova faixa, num momento de desvalorização dos preços do minério de ferro, mas a avaliação é que será possível.

“Há perspectiva de preços de commodities mais baixos para 2023, mas, mesmo com esse ajuste, a CSN vai conseguir manter geração de caixa suficiente para evitar que a alavancagem vá acima de 1,95 vez”, disse.

“A prioridade estratégica é investir fora do Brasil”, disse, lembrando que os múltiplos da CSN ainda são penalizados pelo fato de o grupo não ter operação relevante fora do país.

“A premissa é manter a alavancagem abaixo de uma vez, porém dentro das oportunidades que surgem”, comentou, acrescentando que custo baixo, pagamento de dividendos e qualidade dos produtos também são prioridades na companhia.

VISÃO DO MERCADO

Bradesco BBI

Para o Bradesco BBI, a CSN postou números de linha com o previsto. No lado do aço, a CSN conseguiu aumentar significativamente os volumes, superando o desempenho geral do mercado.

“A empresa continuou a sentir as pressões de custo, que, combinadas com os preços mais baixos do aço, levaram ao Ebitda por tonelada do aço para algo em torno de US$ 210, contra US$ 360 a tonelada no 2T22”.

O BBI nota que os custos do aço devem ter tendência de queda à medida que os preços mais baixos das matérias-primas aparecem nos resultados.

“Além disso, os números de cimento foram mais fortes em relação às nossas expectativas, enquanto os resultados devem
começar a sentir todo o benefício dos ativos da Holcim nos próximos trimestres (especialmente à medida que a CSN captura sinergias). Do lado mais negativo, a alavancagem financeira aumentou, enquanto a empresa avançou alguns investimentos devido a atrasos nos projetos de expansão de minério de ferro”, avalia o banco.

Eleven 

Olhando para os balanços do terceiro trimestre, a Eleven aponta que o resultado da CSN foi fortemente impactado pela redução dos preços do aço e minério no trimestre e maiores custos em siderurgia. A incorporação da LafargeHolcim nos resultados e a dinâmica positiva da divisão de cimentos atenuaram em parte os resultados negativos dos principais segmentos da companhia.

“Apesar de todos os segmentos apresentarem crescimento significativos em volumes, tanto os menores preços do minério e do aço, como maiores custos operacionais, principalmente na siderurgia, fizeram o Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] da companhia reduzir 17% frente ao 2T22”, avaliam os analistas da casa.

O principal destaque negativo foi a siderurgia. com Ebitda de R$ 1,3 bilhão, 34% inferior ao 2T22, com um preço médio 8% abaixo e um custo 11% acima do trimestre passado, mesmo com o custo de placa por tonelada retraindo 6% a R$ 4.133 a tonelada. No entanto, o volume apresentou boa dinâmica crescendo 9% no trimestre e 18% no ano, mostrando um mercado interno aquecido.

A Eleven colocou seu preço alvo em revisão para incorporar as compras recentes e o cenário de deterioração dos preços do minério e do aço.

Itaú BBA

O cenário de médio prazo para as empresas foi visto como mais positivo por alguns analistas, segundo destacou o Itaú BBA ao comentar a teleconferência de resultados das empresas.

A gestão da CSN vê resultados bons no negócio de aço no quarto trimestre, com custos potencialmente mais baixos e volumes resilientes. Para a divisão de mineração, a administração espera custos menores no curto prazo, auxiliados pela aquisição do ativo Quebra-Queixo, e projeta minério de maior qualidade em 2023, além de ver sinergia após a integração da LaFargecim.

Para o Itaú BBA, os números foram ligeiramente negativos, com os segmentos de mineração e siderurgia penalizados pela queda de preços, apesar dos menores custos e maiores volumes na base trimestral. A alavancagem acabou saltando de 1 vez para 1,7 vez resultante da aquisição da Lafarge Holcim, mas ainda assim apresentou boa geração de caixa.

Já do lado negativo, a empresa revisou seu guidance de produção de minério de ferro (incluindo compra de terceiros) para 34 mil toneladas em 2022 (versus 36-38 mil toneladas antes) e introduziu uma nova meta de alavancagem de 1,75 vez a 1,95 vez entre 2022 e 2023 (versus 1 vez antes).

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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