Mercado Diário: No silêncio da noite

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A agência de risco Standard & Poor’s aguardou o fim do pregão da BM&FBovespa para divulgar que a nota de crédito soberano do Brasil foi rebaixada de BBB para BBB-, deixando o país no último degrau das nações com grau de investimento.

O rebaixamento reflete a combinação de deterioração fiscal, a possibilidade que a política fiscal se mantenha débil em meio ao crescimento moderado nos próximos anos, uma capacidade limitada para ajustar essa política antes das eleições presidenciais de outubro e o enfraquecimento das contas externas do Brasil.

Além de reduzir a nota de crédito para a dívida externa do Brasil de longo prazo, a agência também rebaixou a qualificação da dívida brasileira de longo prazo em moeda local de A- para BBB+.

 

Não adianta espernear

 

O ministério da Fazenda reagiu afirmando que a decisão é contraditória com a solidez e os fundamentos do Brasil, destacando a baixa vulnerabilidade externa do país, que possui o quinto maior volume de reservas internacionais do G-20.

“Também não procede a avaliação sobre a situação fiscal brasileira, já que o país tem um dos maiores superávits primários do mundo nos últimos 15 anos. Em 2013, atingimos um superávit primário de 1,9% do PIB, suficiente para reduzir o endividamento público”, acrescentou o governo brasileiro.

O fato é que não adianta mais a cúpula econômica brasileira espernear. Também não adianta continuar maquiando os indicadores econômicos do país para passar uma imagem positiva. A solução é arregaçar as mangas e cortar na carne, mesmo que o resultado prático implique na perda de centenas de milhares de votos nas eleições que se aproximam.

É a hora de mostrar que o governo está comprometido com o país e não com o partido e os interesses do mesmo.

 

Efeito viral

 

Além da nota do Brasil, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s também rebaixou os ratings das estatais Petrobras e da Eletrobras, de BBB para BBB-, em linha com a redução da nota de crédito soberano do Brasil.

Petrobras e Eletrobras têm enfrentando dificuldade de caixa e vem perdendo valor de mercado nos últimos anos. Analistas tem criticado a excessiva interferência do governo federal nas empresas e o uso das companhias para elevar o nível de investimento no país.

 

Bom humor

 

Outra importante agência de risco mundial, a Moody’s, não dá sinais de que pretende seguir o caminho da S&P e rebaixar a nota de crédito brasileira.

A Moody’s avaliou que o Brasil apresenta forte resistência a choques externos e limitada exposição a uma reversão do fluxo de recursos globais, segundo relatório sobre mercados emergentes divulgado nesta terça-feira.

Segundo a classificação da Moody’s, o Brasil tem, hoje, nota Baa2 e perspectiva estável.

O relatório da agência de risco diz ainda que as reservas internacionais do país estão entre as mais fortes da região, “dando forte resiliência a choques externos, apesar dos níveis de dívida pública relativamente altos e da inflação persistente”.

 

Sem direção

 

As bolsas de valores asiáticas continuaram na defensiva nesta terça-feira por incertezas sobre a Ucrânia e a economia mundial, embora esperanças ainda vagas sobre medidas de estímulo na China possam estar sustentando a confiança dos investidores.

Em Tóquio, o índice Nikkei 225 fechou em baixa de -0,36%, cotado a 14,423 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu -0,59%, para 21.730 pontos. Em Xangai, o índice SSE Composite ganhou +0,05%, cotado a 2.067 pontos. Já em Mumbai, o índice Sensex fechou estável, cotado em 22.055 pontos.

 

Crise na Ucrânia

 

O impasse diplomático sobre a Ucrânia continuou conforme o presidente norte-americano Barack Obama e outras importantes nações industrializadas alertaram a Rússia na segunda-feira sobre mais sanções econômicas caso o presidente Vladimir Putin tome mais medidas para desestabilizar a Ucrânia.

 

Meu tesouro tesourinho

 

O mercado de títulos públicos brasileiro está em ebulição com a perspectiva de piora no quadro inflacionário de curto e médio prazo. Na véspera, o Banco Central (Bacen) divulgou que, apesar do fluxo cambial positivo registrado em março, o déficit acumulado no primeiro bimestre aponta para um 2014 de muitas dificuldades para o governo manter sua meta de superávit fiscal. A pressão vem principalmente do fraco desempenho da balança comercial.

Atentos aos números do governo, os principais analistas do país pioraram novamente suas previsões sobre o desempenho da inflação até o final de 2014. No relatório divulgado pelo Banco Central (Boletim Focus), os analistas passaram a apostar que o IPCA fechará o ano com crescimento de 6,28% em relação à 2013. A aposta dos analistas aproxima-se perigosamente do teto da meta inflacionária do Bacen, de 6,50%, fazendo aumentar as especulações sobre um aumento da taxa básica de juros para um patamar acima dos 11,00% previstos anteriormente.

Outro fator que promete agitar o movimento do Tesouro Direto nesta terça-feira é o recém rebaixamento da nota de crédito soberano do país pela agência de risco Standard & Poor’s. Se por um lado, uma eventual perda do grau de investimento do país no futuro diminua o acesso dos investidores estrangeiros aos títulos públicos brasileiros, por outro, aumenta a pressão sobre o dólar e, consequentemente, sobre a inflação do pais.

Em suma, todos os caminhos levam ao aumento da taxa de juros. Muito por conta disso, todos as cotações dos títulos negociados no Tesouro Direto subiram nesta terça-feira, com grande destaque para o NTN-B Principal de longo prazo, que valorizou-se 1,04% em relação ao pregão anterior.

 

Mais dívida 

 

A Secretaria do Tesouro Nacional divulgou nesta terça-feira que a Dívida Pública Federal, que inclui os endividamentos interno e externo do governo, subiu 1,03% em fevereiro na comparação com janeiro, atingindo o patamar de R$ 2,07 trilhões. No primeiro mês do ano, o estoque da dívida brasileira era de R$ 2,05 trilhões. O aumento da dívida foi resultado da emissão líquida de R$ 6,47 bilhões de títulos e da apropriação de juros na ordem de R$ 14,5 bilhões.

A dívida interna do governo aumentou 1,27% em fevereiro, passando para R$ 1,97 trilhão, contra R$ 1,95 trilhão registrado em janeiro. Já a dívida externa recuou 3,95%, fechando fevereiro em R$ 92,46 bilhões (US$ 39,63 bilhões). A dívida externa brasileira é o resultado da emissão de bônus no mercado mundial.

 

Alta demanda

 

A procura por títulos públicos no leilão realizado nesta terça-feira foi expressiva mesmo com o rebaixamento da nota brasileira pela agência de classificação de risco Standard & Poors (S&P).

Hoje, foram vendidos R$ 1 bilhão em papéis do governo, 2% do volume total de R$ 50 bilhões (próximo do recorde de R$ 52 bilhões registrado em setembro do ano passado) ofertado ao mercado financeiro em fevereiro. Ao comprar títulos públicos, os investidores consideram o risco envolvido na operação e o retorno em termos de taxas de juros dos títulos ofertados.

No leilão desta terça-feira, ainda de acordo com dados do Tesouro Nacional, a taxa de juros ficou em 6,85% ao ano (acima da inflação, que tem oscilado em torno de 6% ao ano). Deste modo, o rendimento, para os investidores, deverá ficar acima de 10% ao ano – em linha com a taxa básica de juros da economia brasileira, atualmente em 10,75% ao ano. Os juros reais do país são os mais altos do mundo.

 

Expectativa positiva

 

Os principais índices de ações europeus fecharam em alta nesta terça-feira, impulsionados por expectativas de medidas de estímulo do Banco Central Europeu (BCE) e  do Banco Central da China para ajudar suas economias a enfrentar qualquer desaceleração.

Em Londres, o índice FTSE 100 fechou em alta de +0,30%, a 6.604 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX 30 subiu +1,63%, para 9.338 pontos. Em Paris, o índice CAC 40 ganhou +1,59%, alcançando à marca de 4.344 pontos. Já em Milão, o índice FTSE MIB teve valorização de +0,95%, para 20.823 pontos.

As bolsas de valores europeias foram impulsionadas após o integrante do Conselho do BCE Jens Weidmann afirmar que o banco não descarta comprar empréstimos e outros ativos de bancos para estimular a zona do euro, que está lentamente se recuperando da crise de dívida soberana.

 

Quanto pior, melhor

 

Depois que a agência de avaliação de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota da dívida pública brasileira na noite de ontem, a expectativa era de que o dólar subisse ao longo do pregão desta terça-feira. Porém, isso não aconteceu.

Muito pelo contrário, o dólar fechou em nova baixa (a quarta consecutiva), desvalorizando-se 0,70% ante o real. No final do pregão, um dólar era vendido a R$ 2,3062 e comprado a R$ 2,3052 no mercado cambial brasileiro.

Segundo o mercado, os potenciais efeitos do rebaixamento promovido pela S&P já estavam precificados na cotação da moeda.

 

 Hepta

O principal índice de ações da bolsa de valores brasileira fechou em alta pelo sétimo pregão consecutivo nesta terça-feira, com valorização de 0,39%, cotado a 48.180,14 pontos. É o maior nível de fechamento desde 14 de fevereiro, quando o índice encerrou cotado em 48.201,11 pontos.

A alta do Ibovespa nesta terça-feira foi puxada, principalmente, pelo bom desempenho das ações da Vale e da Petrobras.

Ao longo do dia, investidores analisaram o rebaixamento da nota de crédito soberano do Brasil fpromovido pela agência de avaliação de risco Standard & Poor’s (S&P). O corte sinaliza menos confiança para os investidores aplicarem seu dinheiro no país.

A atitude da Standard & Poor’s não reflete necessariamente uma mudança significativa nos preços das ações, mas pode gerar um maior impacto nos custos de financiamento externo de várias companhias brasileiras, principalmente aquelas controladas pelo governo.

 

A volta

 

Os principais índices de ações das bolsas de valores dos Estados Unidos fecharam em alta nesta terça-feira, recuperando-se de dois  dias de declínio, depois que a leitura forte da confiança do consumidor aumentou o otimismo sobre a economia.

O índice Dow Jones avançou 0,56%, para 16.367 pontos. O índice Standard & Poor’s 500  teve valorização de 0,44%, para 1.865 pontos. O índice Nasdaq Composite subiu 0,19%, para 4.234 pontos.

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