Mercado Diário: mais inflação, menos crescimento

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Rio de Janeiro, 07 de Abril de 2014 – De acordo com o Boletim Focus, os principais economistas em atuação no país pioraram suas projeções para 2014 sobre o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o Índice de Preços ao Consumidor (Fipe), a Dívida Líquida do Setor Público, o Produto Interno Bruto (PIB), a Conta Corrente e a Balança Comercial. Por outro lado, os economistas consultados demonstraram-se mais otimistas quanto ao desempenho do Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), da Taxa de Câmbio (Dólar), da Produção Industrial e o do Investimento Estrangeiro Direto.

Os economistas, consultados na última semana pelo Banco Central (Bacen), subiram suas projeções de inflação pela quinta semana consecutiva. A aposta na alta dos preços medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) subiu de 6,30% na semana passada, para 6,35% nesta semana.

Com o novo aumento na previsão para o IPCA deste ano, a estimativa do mercado financeiro para a alta dos preços em 2014 se aproxima mais ainda do teto de 6,50% vigente no sistema de metas de inflação. Nos últimos quatro anos, a inflação tem oscilado ao redor de 6,00%. Em 2010, somou 5,91%, passando para 6,50% em 2011, para 5,84% em 2012 e para 5,91% no último ano.

O relatório também mostra que a expectativa sobre a variação da taxa básica de juros brasileira em 2014 manteve-se estável em 11,25% ao ano. Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o Banco Central tem que calibrar a taxa selic (taxa básica de juros) para atingir as metas de inflação estabelecidas previamente, tendo por base o IPCA. Para 2013 e 2014, a inflação tem de ficar em 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2014, a previsão dos economistas voltou a piorar: de 1,69% estimado na última semana para 1,63% no relatório atual. O crescimento previsto para 2014 segue abaixo do estimado no orçamento federal – de 2,5%.

 

Queda livre 

 

Na primeira semana de abril, as importações superaram as vendas externas em US$ 470 milhões, de acordo com números oficiais divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). No período, foram US$ 3,863 bilhões em exportações e US$ 4,333 bilhões em importações.

A média diária de importações, entre os dias 01 e 06 de abril, foi a maior desde a terceira semana de dezembro do ano passado (US$ 1,1 bilhão). Deste modo, foi a maior de 2014.

Já a média de exportações, no período, foi a terceira maior de 2014 – perdendo apenas para a quarta semana de fevereiro (US$ 1,01 bilhão) e, também, para a segunda semana de março (US$ 992 milhões).

A balança comercial brasileira já acumula um déficit de US$ 6,542 bilhões em 2014. Em igual período do ano passado, o saldo estava deficitário em menor tamanho: US$ 4,84 bilhões. Deste modo, o déficit cresceu 35,1% no acumulado deste ano.

 

Ventando pra baixo

 

Na Ásia, a maioria dos indicadores de ações fechou no vermelho, com destaque para o índice Nikkei 225, do Japão, que teve a maior queda entre os principais mercados. A bolsa de valores de Tóquio perdeu 1,69%, por causa de uma venda generalizada de ações do setor de tecnologia. Além disso, a cotação do iene estava mais alta. O SoftBank liderou as perdas do setor, com queda de mais de quatro por cento.

 

Meu tesouro tesourinho

 

Todos os títulos negociados via Tesouro Direto iniciaram a primeira semana cheia de abril em alta.

Dentre os títulos indexados à inflação, destaque para a NTN-B Principal com vencimento em 15 de maio de 2015, que subiu 0,45%. Entre os títulos pré-fixados, a maior alta foi registrada pela Nota do Tesouro Nacional Série F (NTN-F) 010125, que teve valorização de 0,44%.

Já as Letras Financeiras do Tesouro (LFT), indexadas pela taxa básica de juros (taxa selic), ganharam 0,04%.

A alta registrada nos preços unitários dos títulos públicos federais nesta segunda-feira acompanhou as projeções econômicas divulgadas pelo Boletim Focus, que prevê maior aumento da inflação e menor crescimento do PIB em 2014.

 

Downward, Nach Unten, Vers Le Bas, Giù

 

As ações europeias fecharam em queda nesta segunda-feira após uma série de altas seguidas.

Em Londres, o índice FTSE 100 fechou em baixa de -1,09%, a 6.622 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX 30 caiu -1,91%, para 9.510 pontos. Em Paris, o índice CAC 40 perdeu -1,08%, alcançando à marca de 4.436 pontos. Já em Milão, o índice FTSE MIB teve desvalorização de -0,84%, para 21.988 pontos.

 

Dólar desaba

 

dólar fechou em queda de 1,06% nesta segunda-feira, cotado a R$ 2,2189 para compra e R$ 2,2200 para venda. É o menor valor desde 30 de outubro do ano passado, quando a moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 2,1920.

A baixa do dólar foi influenciada, entre outros motivos, pela divulgação da pesquisa Datafolha no último sábado (05 de abril), que mostrou queda na intenção de votos da presidente Dilma Rousseff para as eleições de outubro.

Também influenciaram o resultado do dólar as constantes intervenções do Banco Central no mercado de câmbio, a maior perspectiva de fluxo positivo da moeda norte-americana para o Brasil (mais entrada do que saída), com o ingresso de recursos captados por empresas brasileiras no exterior, além do cenário de menor aversão a operações de risco.

 

Ibovespa sobe forte

 

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, fechou em alta de 2,10% nesta segunda-feira, aos 52.155,28 pontos. É o maior nível dos últimos quase meses, desde 29 de novembro do ano passado, quando o índice encerrou o dia aos 52.482,49 pontos.

A alta do índice foi influenciada, dentre outros motivos, pela divulgação da pesquisa Datafolha no sábado, que mostrou queda na intenção de votos da presidente Dilma Rousseff para as eleições de outubro.

Outra pesquisa do Datafolha mostrou que 78% dos brasileiros acreditam que há corrupção na Petrobras.

Além disso, o movimento de volta de investidores estrangeiros a países emergentes verificado nas últimas semanas continuou nesta sessão, o que permitiu o Ibovespa fechar no sentido oposto ao das bolsas de valores norte-americanas.

 

Tio Sam cai novamente

 

As principais ações dos Estados Unidos fecharam em queda nesta segunda-feira e o índice Standard & Poor’s registrou a maior perda em três dias dos últimos dois meses. Os investidores venderam ações ligadas à internet, que vinham mostrando bom desempenho recentemente, e passaram a comprar ações defensivas para se protegerem de novos declínios.

Este tipo de comportamento de mercado (compradores favorecendo nomes defensivos) sugere que os investidores estão voltando a ficar cautelosos após os grandes ganhos em ações durante o ano passado.

O índice Dow Jones Industrial Average recuou -1,02%, para 16.245 pontos. O índice  Standard & Poor’s 500 teve desvalorização de -1,08%, a 1.865 pontos. O termômetro de tecnologia Nasdaq Composite caiu -2,60%, para 4.127 pontos.

 

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