Mercado Diário: Nova alta recorde da inflação chacoalha o mercado financeiro brasileiro

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Rio de Janeiro, 09 de Abril de 2014 – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,92% no mês passado, maior avanço para o mês de março em 11 anos. O resultado contribuiu para esfriar o ânimo de investidores sobre o ganho acumulado de 15% da bolsa de valores de meados de março até a última segunda-feira.

A alta do IPCA mostra que o cenário macroeconômico ainda é bem desafiador e toda pujância do movimento de alta recente no mercado de ações brasileiro parece ter sido mais técnico do que fundamentado.

Por outro lado, a queda do dólar no mercado local deve contribuir para evitar que a inflação termine o ano acima da meta (de 6,5%), dado que o BC sinalizou que o ciclo de aperto monetário está próximo do fim.

 

Ventando pra cima, mas com exceção

 

Os mercados acionários asiáticos fecharam novamente em alta nesta quarta-feira, após as bolsas de valores americanas terem revertido, na véspera, uma sequência de três pregões em queda.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu +1,05%, para 22.835 pontos. Em Xangai, o índice SSE Composite ganhou +0,33%, cotado a 2.105 pontos. Já em Mumbai, o índice Sensex fechou cotado em 22.702 pontos, com ganho diário de +1,61%.

A exceção no oriente, mais uma vez, ficou por conta da principal bolsa de valores do Japão, que fechou em queda após mais uma alta do iene em relação ao dólar. O índice Nikkei 225 fechou em alta de -2,10%, cotado a 14.300 pontos.

A valorização do iene não é vista com bons olhos pelos investidores porque a moeda forte acaba corroendo os ganhos dos exportadores do país.

Além disso, os investidores também ficaram bastante descontentes com a decisão do Banco Central do Japão de manter a política monetária atual sem alterações. Todos esperavam por um avanço na política de estímulos econômicos.

Assim, tanto ontem quanto hoje, o investidor japonês passou a apostar na alta do iene. Nesta quarta-feira, a moeda japonesa registrou a maior valorização diária das últimas quatro semanas.

 

É bom ficar atento

 

O mercado asiático saiu um pouco do foco dos investidores brasileiros depois que o governo chinês anunciou, na última semana, novos planos de estímulo econômico, com a aceleração da construção de ferrovias e moradias populares, além da redução de impostos para pequenas empresas.

Porém, de acordo com o último relatório da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, o espaço para o governo da segunda maior economia mundial sustentar o crescimento econômico está diminuindo.

Contra o pano de fundo da crescente dívida de governos locais, alta proporção da dívida e rápido crescimento da oferta de dinheiro e financiamento social excessivamente grande, o espaço para simplesmente usar políticas fiscal e monetária para gerenciar a demanda e promover o crescimento econômico está ficando cada vez menor“, afirmou a principal agência de planejamento econômico da China.

A agência também alertou que “operações impróprias vão exacerbar o excesso de capacidade e adiar ajustes estruturais, além de elevar as pressões inflacionárias e acumular riscos de dívida“.

Segundo a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, a política monetária chinesa deve efetivamente impedir a inflação e manter a liquidez do mercado financeiro, além de manter as taxas de juros do mercado em níveis apropriados. O governo chinês vai acelerar o ritmo de convertibilidade do iuan na conta de capital e aumentar as flutuações da taxa de câmbio do iuan, completou.

 

Upward, Nach Oben, Vers Le Haut, Verso L’alto

 

Os principais índices de ações europeus fecharam em alta nesta quarta-feira, impulsionadas pela forte alta de ações do setor automobilístico. Outra boa notícia ficou por conta da divulgação da balança comercial da Alemanha referente à fevereiro.

No segundo mês de 2014, as importações alemãs subiram ao seu maior nível desde 1991 enquanto as exportações caíram, em um sinal de que a demanda doméstica na maior economia da Europa está, cada vez mais, ganhando ritmo.

Nesta quarta-feira, o índice FTSE 100 da Bolsa de Valores de Londres fechou em alta de +0,68%, a 6.636 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX 30 subiu +0,16%, para 9.506 pontos. Em Paris, o índice CAC 40 ganhou +0,40%, alcançando à marca de 4.443 pontos. Já em Milão, o índice FTSE MIB teve valorização de +0,23%, para 21.717 pontos.

Pela manhã, a corretora Bernstein melhorou sua recomendação para as ações da Volkswagen e da Porsche para outperform (acima da média), ante market perform (em linha). Além disso, a gestora de fundos de ações europeias do Royal London Asset Management destacou que os dados fortes sobre vendas de automóveis nos Estados Unidos no início de abril também beneficiariam o setor.

 

Meu tesouro tesourinho

 

Mais um dia de forte alta no mercado de títulos públicos brasileiro. Os investidores do Tesouro Direto foram as compras nesta quarta-feira, dia de divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) de março.

Segundo o Instuto Braisleiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a inflação no terceiro mês de 2014 subiu 0,92%, o maior aumento de preços para meses de março desde 2003. Foi o sinal para as compras de títulos indexados pelo índice inflacionário. A maior alta do dia foi registrada pelo NTN-B Principal de longo prazo (150535), que subiu 0,91%.

A forte alta da inflação também fez com que os títulos pré-fixados e os títulos indexados pela taxa selic também subissem. O título pré-fixado NTN-F 010125  registrou o segundo maior ganho diário, de 0,89%. As Letras Financeiras do Tesouro, indexadas pela taxa selic (taxa básica de juros da economia brasileira), subiram ante a expectativa de continuação do ciclo de alta dos juros visando o controle da inflação, que não pára de subir. Nesta quarta-feira, a LFT 070317 ganhou mais 0,04%.

Lembrando que hoje é o dia em que o Tesouro Nacional disponibiliza para recompra dos títulos públicos em posse dos investidores individuais. O que naturalmente seria um dia de realizações de lucros, e queda nos preços, transformou-se numa corrida às compras, com todos os títulos negociados via Tesouro Direto subindo vigorosamente.

Devido à forte volatilidade nas taxas de juros dos títulos públicos nesta manhã, em função da forte demanda, o Tesouro Direto foi suspenso das 11:18h até as 14:00h.

 

A novela sem fim

 

O Fed não está tão otimista quanto o mercado esperava, sinalizando que a atividade econômica está se recuperando em um ritmo um pouco mais lento, aquém das expectativas.

Apesar da recente desaceleração não ter sido suficiente para levar a uma revisão das projeções da última reunião do Fomc, a ata mostra que alguns participantes se mostraram preocupados com a possibilidade de as projeções para as taxas de juros, que eles divulgaram em março junto com o comunicado da reunião, pudessem passar uma sinalização errada sobre quando ocorrerá a primeira alta da taxa básica de juros nos Estados Unidos. Isso contribuiu para afastar a preocupação de uma antecipação da alta da taxa de juros nos EUA, depois da presidente do Fed, Janet Yellen, ter sinalizado em seu primeiro discurso após a reunião de que isso poderia acontecer em período de cerca de seis meses após o término do programa de estímulos monetários.

O mercado passará a acompanhar os dados econômicos nos EUA para ver o real efeito dos fatores climáticos para a economia, mas o risco de os números surpreenderem para cima e a economia mostrar uma recuperação mais forte diminuiu. Isso deve contribuir para a continuação do movimento de fluxo para emergentes, pelo menos no curto prazo.

O fato de as taxas dos Treasuries ainda se manterem comportadas e a expectativa da adoção de mais medidas de estímulo monetário por parte da Europa e da China têm sustentado o fluxo de recursos para os mercados emergentes.

O mercado externo mais favorável e a realocação de dinheiro do grupo de emergentes, principalmente da Rússia e da Turquia, que não estão em uma situação muito boa, têm favorecido o Brasil, fazendo com que o movimento de queda do dólar continue enquanto o cenário externo estiver favorável, uma vez que os prêmios embutidos nas taxas de juros no Brasil ainda são muito altos.

 

Verdinhas bem vindas

 

Em março, o fluxo cambial ficou positivo em US$ 2,304 bilhões, resultado de uma entrada líquida de US$ 2,805 bilhões na conta financeira e de uma saída de US$ 521 milhões na conta comercial. Esse foi o melhor resultado desde novembro. O fluxo financeiro foi impulsionado pelas captações de empresas brasileiras no exterior, que somaram US$ 12 bilhões em março. Somente a Petrobras captou US$ 8,5 bilhões no mês passado.

 

Porém

 

Na primeira semana de abril, até o dia 04, o fluxo cambial está negativo em US$ 1,899 bilhão, resultado de uma saída líquida de US$ 1,786 bilhão na conta financeira e de um déficit de US$ 113 milhões na conta comercial.

 

Adeus piso

 

A sinalização da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc) de que a economia americana está se recuperando a um ritmo mais lento do que esperado contribuiu para o fortalecimento das moedas emergentes frente ao dólar, levando a moeda americana a zerar a alta frente ao real e fechar em queda no mercado local pelo quarto pregão consecutivo. A leitura dos analistas é de que o risco de uma antecipação da alta de juros nos EUA diminuiu, o que deve sustentar o movimento de fluxo para mercados emergentes, pelo menos no curto prazo.

A moeda norte-americana recuou 0,25%, cotada a R$ 2,1975 na venda e a R$ 2,1965 na compra, após passar boa parte do pregão em alta. Na máxima chegou a ser cotado a R$ 2,2198 e, na mínima, a R$ 2,1905.

É a primeira vez que o dólar fechou abaixo do nível de R$ 2,20 desde o fim de outubro passado e, em quatro sessões, já acumula perda de 3,72% ante o real.

Com o câmbio no patamar de R$ 2,20, o mercado já começa a questionar se o Banco Central fará a rolagem integral do lote de US$ 8,733 bilhões que vence em 02 de maio. Hoje a autoridade monetária realizou a rolagem de todos os 10 mil contratos de swap cambial tradicional ofertados, em operação que movimentou US$ 494,2 milhões. Com a rolagem de hoje, restam US$ 6,733 bilhões em contratos de swap a serem renovados.

Mais cedo, o BC vendeu todo o lote de quatro mil contratos de swap cambial tradicional ofertado em leilão, cuja operação movimentou US$ 197,8 milhões.

 

Sobrou pro Ibovespa

 

O principal índice de ações do Mercado Bovespa fechou em queda pelo segundo dia consecutivo nesta quarta-feira, em mais um pregão de realização de lucros, com a aceleração da inflação oficial em março azedando o humor do mercado e ações do setor elétrico pressionando o principal índice da bolsa brasileira.

O Ibovespa caiu 0,86%, a 51.185 pontos. O giro financeiro do pregão totalizou R$ 7,5 bilhões.

Caso o movimento de realização de lucro das ações que compõem o Ibovespa continue, o índice deve encontrar zona de suporte de preços na faixa dos 50.500 pontos.

 

Tio Sam gostou 

 

Os principais índices de ações das bolsas de valores de Nova Iorque fecharam em alta nesta quarta-feira, após a divulgação das atas da última reunião do Federal Reserve (Fed), que dissipou os temores de uma alta das taxas de juros antes do que o esperado.

O índice Dow Jones Industrial Average avançou +1,11%, para 16.437 pontos. O índice  Standard & Poor’s 500 teve valorização de +1,09%, a 1.872 pontos. O termômetro de tecnologia Nasdaq Composite subiu +1,72%, para 4.183 pontos.

Os integrantes do Comitê de Política Monetária (Fomc) do Fed acreditam que o organismo deve continuar reduzindo de maneira progressiva seu estímulo à economia, segundo trechos de sua última reunião publicados nesta quarta.

Os titulares do FOMC consideraram que, se a economia dos Estados Unidos continuar se desenvolvendo como se espera, a redução por etapas das compras de ativos (bônus do Tesouro e títulos hipotecários) continuará.

O mercado vinha obcecado com a ideia de que o ajuste de taxas poderia ocorrer antes do que se esperava, e o informe do Fed, de alguma forma, serviu para acalmar os ânimos.

A alta de alguns valores tecnológicos – como Facebook, Yahoo!, ou eBay – também estimulou os índices.

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