A Direcional Engenharia, que atua no Casa Verde e Amarela (CVA) e no setor residencial de médio padrão, obteve lucro líquido ajustado de R$ 50,945 milhões no quarto trimestre de 2021, alta de 25,6% ante o mesmo intervalo de 2020.

A receita líquida da companhia subiu 14,5% no quarto trimestre, atingindo R$ 486,9 milhões. O resultado foi impulsionado pelas vendas líquidas recordes do período, de R$ 668 milhões.

Ebitda – lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização – ajustado somou R$ 109,761 milhões, avanço de 9% na mesma base de comparação. Já a margem Ebitda encolheu 0,5 ponto porcentual, para 22,5%.

Os números no critério “ajustado” exclui os juros capitalizados de financiamento à produção, que compõem a linha de custos, conforme explicou a empresa. Sem o ajuste, o lucro líquido contábil foi de R$ 45 milhões, o que corresponde um aumento de 26%.

A Direcional atribuiu o crescimento do lucro à expansão dos lançamentos e vendas ao longo do ano, o que contribuiu para diluição de custos.

A margem bruta ajustada aumentou 0,6 ponto porcentual, para 36,5% – a despeito da pressão inflacionária que vem impactando o mercado.

A incorporadora também ressaltou que faz um acompanhamento rigoroso do orçamento das obras e que tem sido assertiva na estratégia de reajustar o preço de venda dos imóveis.

O resultado financeiro apresentou valor líquido negativo de R$ 24 milhões. Os principais fatores que impactaram esse resultado foram as duas elevações da taxa Selic no período, passando de 6,25% a.a. para 9,25% a.a., o que repercutiu diretamente na remuneração do caixa e nas despesas financeiras atreladas ao endividamento da Companhia; a operação de venda de parte da carteira de recebíveis; e os desdobramentos relativos aos swaps contratados para proteção da flutuação do IPCA.

A companhia fechou o quarto trimestre com R$ 1,049 bilhão em caixa, 13,2% mais na mesma base de comparação anual. O montante é capaz de cobrir os vencimentos de dívida corporativa dos próximos quatro anos (R$ 921 milhões).

As vendas líquidas somaram VGV de R$ 668 milhões no 4T21, um crescimento de 28% em relação ao 4T20, e de 4% sobre o 3T21.

Mais uma vez, a Direcional registrou o seu melhor trimestre de vendas líquidas na história – o 6º recorde nos últimos 7 trimestres.

No acumulado do ano, as vendas líquidas totalizaram R$ 2,4 bilhões, um crescimento de 45% na comparação com o VGV líquido contratado em 2020. Esse patamar marca 2021 como o melhor ano da Companhia em termos de vendas líquidas.

A dívida líquida era de R$ 192,242 milhões, aumento de 84,4%. O volume cresceu devido à emissão de debêntures no valor de R$ 100 milhões no fim do ano. A alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e patrimônio líquido) chegou a 13,4%, ante 7,3% um ano antes.

Operacional

Assim como seus pares, a Direcional já havia divulgado um relatório preliminar de lançamentos e vendas referente ao quarto trimestre, que mostrou desaceleração nos negócios.

Os lançamentos no quarto trimestre de 2021 caíram 31,6% na comparação com o mesmo trimestre de 2020, para R$ 633,817 milhões, enquanto as vendas líquidas aumentaram 2,4%, para R$ 537,662 milhões.

Já no acumulado do ano de 2021, os lançamentos cresceram 75,4%, contra 2020, para R$ 2,677 bilhões (recorde na história da empresa), e as vendas aumentaram 43,3%, para R$ 2,017 bilhões.

O braço imobiliário para a média renda, Riva, foi responsável por pouco mais de 40% dos lançamentos do ano.

RIVA

As vendas líquidas no 4T21 atingiram R$ 239 milhões, superando marginalmente o 3T21, e marcando o melhor trimestre da Riva em termos de vendas. Em relação ao 4T20, o crescimento foi de 152%.

Com isso, a VSO do trimestre foi de 19%, apesar do alto volume de lançamentos dos últimos períodos, mostrando a resiliência da demanda por esse tipo de produto – o que continua possibilitando o repasse da inflação nos preços finais.

No acumulado de 2021, o crescimento das vendas líquidas foi de 178% em relação ao volume registrado em 2020, chegando a R$ 776 milhões no ano.

Os resultados da Direcional Engenharia (BOV:DIRR3) referentes às suas operações do quarto trimestre de 2021 foram divulgados no dia 14/03/2022. Confira o Press release na íntegra!

Teleconferência

A construtora Direcional (DIRR3) observa uma maior cautela entre os clientes do segmento de média renda por conta do aumento dos juros e o esperado recuo do crédito imobiliário.

Durante teleconferência com analistas, Ricardo Gontijo, CEO da Direcional, disse que, devido ao “incremento da taxa de juros”, a empresa tem “sido mais cautelosa no segmento de SBPE”.

O segmento de SBPE é o mercado imobiliário atendido por linhas de financiamento de imóveis oferecidas por instituições financeiras públicas e privadas. A subsidiária da Direcional, a Riva, atende públicos de rendas média e média-alta, justamente as que se utilizam do SBPE.

As declarações foram dadas por conta da divulgação do balanço da Direcional (DIRR3) do 4º trimestre, quando apurou lucro 25,6% maior na base anual.

Após operaram em momentos de alta, às 15h15 as ações da Direcional (DIRR3) recuavam 1,35%.

Direcional no Programa Casa Verde e Amarela

O executivo afirmou que o segmento de produtor popular, atendido pela marca Direcional e forte atuação no programa Casa Verde e Amarela, tem “mais resiliência” na demanda nesse momento e deve ser o foco.

Em 2021, os lançamentos da mineira Direcional totalizaram R$ 3,1 bilhões em VGV (valor geral de vendas), sendo que a contribuição da Riva, com cerca de dois anos de existência, foi responsável por mais de 40% dos lançamentos do ano, alcançando R$ 1,3 bilhão em VGV.

Custos subindo nos próximos meses

Ricardo Gontijo disse ainda na apresentação do balanço do 4T21, que o último trimestre do ano passado “houve um arrefecimento” nos custos.

“Daqui pra frente, com esse cenário de custos mais elevados, conviveremos com isso ao longo do ano. Os primeiro, segundo e terceiro trimestres (de 2021) foram mais fortes nos custos. O quarto foi bem mais calmo. Mas essa reversão não é tendência daqui em diante”, disse.

O executivo mantém projeções de inflação nos orçamentos. “A questão na (guerra na) Ucrânia, aumento de combustível, acredito que a gente tenha nos próximos meses custos subindo, que temos que monitorar”.

No balanço de 2021, a empresa destacou que no processo de acompanhamento dos orçamentos dos projetos, buscou manter o rigoroso controle dos custos previstos.

“Contando com a realização de reuniões mensais para monitorar o andamento do budget, identificamos e ajustamos, quando necessário, os orçamentos das obras tempestivamente. Além disso, desde a fase de análise de viabilidade de cada produto, nossos orçamentos incorporam uma previsão esperada para a inflação, de modo a tentar minimizar impactos decorrentes de alterações na dinâmica macroeconômica”, relatou.

Equívocos do mercado

O CEO da Direcional criticou na abertura da teleconferência as “análises (feitas por analistas de mercado) ao longo dos últimos dias de preço médio de lançamento e venda de nossa empresa”. Segundo ele, “isso é completamente equivocado”.

Ele justificou que “na Direcional, nós temos um mix de produtos que pode variar dos grupos 1, 2 e 3 do programa Casa Verde e Amarela; além disso, nos temos a operação da Riva”.

E seguiu: “Aqui dentro, nos ajustamos nosso produtos e lançamentos em função dos segmentos onde vemos oportunidades, atratividades e retornos. Então, quando se analisa dados trimestrais, pode haver diferenças de preços médios tanto de lançamento quanto de vendas, em função do mix lançado e vendido”.

O CEO da Direcional comentou ainda que “o importante é deixar claro que em todos esses segmentos, que a margem bruta é muito parecida, com exceção da Riva, onde a necessidade de capital, em geral, é maior do que do programa Casa Verde e Amarela”.

“Não é o preço médio de venda por trimestre que vai dizer a margem bruta esperada”, ressaltou.

VISÃO DO MERCADO

Bank of America

O relatório mostra que empresa manteve as margens brutas sólidas, em comparação com os fracos resultados apresentados pela Tenda (TEND3) na semana passada.

“A Direcional continua cumprindo seu plano estratégico de impulsionar o crescimento, aumentando a exposição ao mercado de média renda com a Riva, mantendo uma sólida geração de caixa no segmento de baixa renda”, diz o banco. A Riva, inclusive, foi outro destaque, com vendas de R$ 538 milhões, um nível recorde, com alta de 2% na base trimestral e 20,4% na anual.

Bank of America tem recomendação compra com preço-alvo de R$ 17,00…

Bradesco BBI

Analistas do banco escreveram que mais uma vez ficaram positivamente impressionados com a resiliência da margem da Direcional diante das pressões de custos ainda desconfortáveis ​​do setor. Além disso, eles destacaram o recorde de lançamentos trimestrais e de vendas líquidas do trimestre.

Bradesco BBI mantém recomendação de compra com preço-alvo a R$ 20,00…

Itaú BBA

O Itaú BBA diz que a construtora apresentou um sólido conjunto de resultados, com destaque para uma melhora na margem bruta. Analistas do banco ressaltam que o bom desempenho das margens reforça o controle rígido da empresa sobre os custos de construção e, mais importante, ajuda a amenizar algumas das incertezas quanto às perspectivas de custos para o setor.

Itaú BBA mantém recomendação de compra com preço-alvo de 20,90.

XP Investimentos

A XP diz que a Direcional apresentou resultados sólidos no 4T21, impulsionados pela forte margem bruta de 36,7%, acima da expectativa de 36,2%, impactada positivamente por preços mais altos e melhor mix vindo do segmento da Riva, apesar dos custos de materiais sob pressão.

XP mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 17,00.

* Com informações da ADVFN, RI das empresas, Valor, Infomoney, Estadão, Reuters

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