A Vamos deve concluir a oferta de ações com uma demanda robusta, mas também com algum desconto no preço do papel. Segundo fontes que acompanham a operação ouvidas pelo InfoMoney, houve uma demanda equivalente a uma vez o book, ao preço de R$ 11,00 por ação – abaixo dos R$ 12,67 estimados no registro da CVM, e também do preço de fechamento do mercado de terça-feira, de R$ 11,90.

Se esse preço se confirmar, a empresa deve levantar o equivalente a R$ 1,3 bilhão na operação, caso não feche nenhum lote adicional. O prazo para novas ordens se encerra às 13 horas (horário da Brasília), quando acontece também a precificação da oferta.

Embora esteja um pouco abaixo da intenção inicial da empresa, de captação de R$ 1,5 bilhão, o resultado da operação caminha para ser positivo, na visão de analistas ouvidos pela InfoMoney. A Vamos é vista como uma empresa com potencial de crescimento e, por isso, a oferta despertou o interesse dos investidores. Mas foi preciso aceitar um desconto no preço da ação porque a empresa lida com desafios de alavancagem de curto prazo, em grande medida por dificuldades no segmento de caminhões.

O caso da Vamos (BOV:VAMO3) ilustra bem o que deve caracterizar a atual janela de follow-ons, aberta de forma mais clara nas últimas duas semanas. “São empresas com boas histórias, com boa oportunidade de crescimento, mas que concordam em deixar um desconto na mesa porque o canal do crédito está fechado”, explica o co-fundador e CIO da Frontier, Rodrigo Fonseca.

Retomada

Desde março deste ano, já foram concluídas oito operações de follow-ons: Assaí (R$ 4,06 bilhões), Hapvida (R$ 1,06 bilhão), Dasa (R$ 1,67 bilhão) , Orizon (R$ 369,3 milhões), Smartfit (R$ 597,7 milhões), Oncoclínicas (R$ 896,9 milhões), CVC (R$ 550 milhões) e Localiza (R$ 4,5 bilhões). Há outras duas em andamento: a da Vamos e outra da Direcional.

Essas operações somam cerca de R$ 16 bilhões. Ao longo de todo o ano de 2022, o volume de ofertas pouco mais de R$ 23 bilhões.

Esse racional estaria sendo usado pelos bancos de investimento para convencer companhias mais alavancadas, como as grandes varejistas, a aproveitar o momento e fazer uma oferta de ações. São companhias que lidam com o desafio de liquidez no curto prazo, mas que devem se beneficiar do cenário de queda de juros e retomada do consumo que se desenha.

Mas há também um outro perfil de empresa que também deve acessar o mercado se preparando para o cenário mais positivo para a atividade que se vê pela frente. Esse é o caso de Localiza, dizem analistas. A empresa, cuja ação acumula valorização de 30% neste ano, levantou R$ 4,5 bilhões no follow-on concluído na segunda-feira (26), em uma operação que contou com cerca de quatro vezes o book. Cerca de 60% dos papéis ficaram com investidores estrangeiros. Um volume que surpreende, em um momento em que a indústria de fundos ainda não viu ainda a volta do fluxo.

informações Infomoney
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